domingo, 30 de abril de 2017

Sidónio Pais

 

  Nenhum presidente da 1ª República foi tão amado e odiado como Sidónio Pais. Este major, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros em Berlim de 1912 a 1916, é difícil de definir. Na Alemanha ficara fascinado com a obediência e aparato bélico das tropas alemãs: Em Portugal, via o sistema parlamentar, com os partidos sempre em litígio, não levar a bom rumo as causas da República. 
             Sidónio Bernardino Cardoso da Silva Pais, nasceu em Coimbra em 1 de Maio de 1872. Era filho de Sidónio Alberto Pais e de Rita da Silva Cardoso Pais. Entrou para a Escola do Exército com 16 anos, onde tirou primeiro o curso de Artilharia. Em 1895,já tenente, frequenta a Faculdade de Matemática, em Coimbra, onde será catedrático da cadeira de Cálculo Diferencial e Integral. Sabia-se que não nutria simpatias pela monar-quia, mas, como militar, não entrou cedo na vida política activa. Logo após o 5 de Outubro é senador e fez parte do ministério de Manuel de Arriaga como ministro do Fomento e depois como Ministro das Finanças. 
             Era apreciado como matemático. Em 1912 está em Berlim como Ministro dos Negócios Estrangeiros, mas como já se disse, regressa em Março de 1916. É então colocado na secretaria desse ministério. Militava já no Partido Unionista de Brito Camacho. 
             Não é demais repetir que o ambiente de pobreza e desemprego no nosso País era visível. Os Unionistas tinham aguardado que Afonso Costa formasse novo governo em que estes tivessem intervenção. Mas Sidónio Pais já preparara o golpe e, no dia 5 de Dezembro de 1917, o movimento revolucionário estala. Triunfará a 8 de Dezembro. No "Diário do Governo", Sidónio manda publicar um texto que termina assim: "Cidadãos! A Revolução é feita em nome da Liberdade contra a tirania e a verdadeira liberdade exige calma nos espíritos, respeito por a vida e propriedade alheia e confiança na autoridade. Viva a Pátria! Viva a República". Depois é proclamada uma Junta Revolucionária. Como já foi dito, o Presidente Bernardino Machado é destituído e Sidónio assume as pastas de Presidente do Ministério (Governo), da Guerra e dos Negócios Estrangeiros. Em 27 de Dezembro é decretado que "o Presidente do Ministério assumirá as funções de Presidente da República". É a ditadura. Depois segue-se a escalada das proibições. Suspensão do jornal "Mundo", porta-voz dos partidários de Afonso Costa, e dos jornais monárquicos, republicanos ("A República" de António José de Almeida, e a "Luta", de Brito Camacho), socialistas, católicos, anarquistas ou independentes. A 7 de Abril de 1918 o Congresso dos Unionistas rompe com o seu antigo membro, Sidónio Pais. Este é eleito Presidente da República em 9 de Maio de 1918. 
             Sidónio declarou-se "chefe de todos os portugueses", "mandatário da nação" legitimado pela eleição por sufrágio universal, o que acontecia pela primeira vez. Chegou a dizer que a sua "consciência interpreta milhões de consciências". 
             Mas Sidónio era extremamente popular. Era conhecido pelas suas aventuras amorosas e passou a andar muito aprumado na sua farda, que antes de ser Presidente raramente vestira. Rodeava-se de um séquito e em todas as suas aparições públicas era tocado o Hino Nacional. 
             Pessoas, poucas, que ainda hoje se lembram dele, sem a noção geral da situação política, dizem que gostavam muito da sua maneira de ser e que tinham muita esperança que o País se "endireitasse" sob o seu domínio. Este típico militar viajava por todo o país e gostava de sentir a multidão a ovacioná-lo. Dizia que tudo ia ser melhor. 
             Em prol dos mais necessitados, criou a chamada "sopa do Sidónio", que consistia na distribuição de refeições baratas à população de Lisboa. Só que esta não foi, ao contrário do que se julga, criação dele, mas apenas um aproveitamento das "Cozinhas Económicas" criadas pela duquesa de Palmela e pela marquesa de Rio Maior durante a monarquia, no reinado de D. Carlos. 
             Durante a presidência de Sidónio, foram reatadas as conversações com o Vaticano, revista a Lei da Separação da Igreja e do Estado (que fora uma das maiores conquistas do Governo Provisório, em 1911) e, a partir de Fevereiro desse ano, a Igreja Católica podia ter estabelecimentos de assistência em Portugal. Deixaram também de haver restrições ao culto e ensino nos seminários. Sidónio mostra-se assim como um protector da Igreja Católica, o que faz granjear ainda mais popularidade. 
             A dois de Março, Sidónio Pais esteve presente na Sé de Lisboa no "Te Deum" pelos soldados mortos na Grande Guerra. Para muitos, Sidónio representava mesmo "a paz religiosa". No entanto, esta aproximação à Igreja não se devia apenas à iniciativa de Sidónio Pais. Por motivos humanitários fora permitida a presença de padres junto dos nossos soldados, no teatro da guerra, desde 1917. Longe da Pátria, doentes, muitos deles, apesar da República, profundamente religiosos. 
             Durante o seu curto mandato, Sidónio estava sempre entre a multidão. O culto da personalidade era importante para ele. Quando grassou a mortífera epidemia de tifo, Sidónio visitou diversos hospitais e assistiu às cerimónias religiosas por morte das vítimas. Também impressionado com a situação dos presos, nas prisões do Porto, resolve amnistiá-los. Para o historiador António Reis, "o sidonismo foi uma mescla de poder pessoal, repressão e perseguição política, confusão administrativa e algumas medidas demagógicas, com um duplo objectivo: recuo e progressiva anulação da participação de Portugal na guerra, construção de uma nova ordem institucional - a chamada "República Nova" alicerçada na "mística do chefe", em antecipação das experiências fascistas que irromperam na Europa nos anos 20". 
             A derrota do nosso Corpo Expedicionário na batalha de La Lys, em 9 de Abril de 1915, onde morreram 327 oficiais e 7098 praças, o perigo do retomo à monarquia, a revolta republicana mal sucedida de 13 de Outubro em Coimbra e Évora, a União Operária Nacional que gritava nas ruas "Abaixo Sidónio Pais", faziam adivinhar que algo inesperado podia acontecer. 
             A Guerra acabou com a assinatura do armistício em 11 de Novembro de 1918 e o rei Jorge V da Grã Bretanha envia uma mensagem a Sidónio Pais realçando o valor dos laços de amizade entre os dois povos. Mas já o manto da morte rondava Sidónio. Escapou de um atentado em 5 de Dezembro de 1918, quando presidia à cerimónia da condecoração dos sobreviventes do cruzador "Augusto Castilho" que tinham enfrentado com valentia os alemães. Mas não sobreviveu ao segundo. Na noite de 14 de Dezembro de 1918, dirigia-se ele para a estação do Rossio a fim de apanhar um comboio para o Porto. Acompanhavam-no um filho e um irmão, entre outros. Quando a multidão que sempre o esperava o vê surgir, ovaciona-o como sempre. Entretanto a banda da Guarda Nacional Republicana começara a tocar o hino nacional. Sidónio vaidoso, ao ver tamanha multidão terá dito "Que quantidade de gente! Parece que esperam o imperador da Rússia!". É então baleado à queima-roupa, por balas vindas de duas direcções. Apercebendo-se do sucedido, terá dito: "Mataram-me! Morro, mas morro bem! Salvem a Pátria...". É conduzido o hospital onde falece. Um dos assassinos terá morrido e o outro foi preso. 
             O jornal "O Século" de 15 de Dezembro de 1918 relata que "em seguida ao crime, estabeleceu-se tumulto e confusão e ficaram mais quatro pessoas mortas e várias feridas, entre elas o irmão e o filho do sr. dr. Sidónio Pais". Como Nicolau II, o último czar da Rússia, Sidónio foi assassinado de noite e no mesmo ano, apenas com escassos meses de diferença. 
             Todo o país ficou consternado com o crime. De todos os países chegam condolências e jornalistas para cobrirem o acontecimento. A viúva e a filha de Sidónio chegaram de Coimbra para as exéquias. Estavam também presentes os seus outros quatro filhos. O corpo do Presidente será embalsamado e ficará em câmara ardente nos Jerónimos, por onde passaram milhares de pessoas. 
             Os jornais referiram mais de uma vez a presença da Sra. Condessa de Ficalho que apareceu logo que soube da morte de Sidónio Pais, bem como as irmãs Isabel e Stela Freitas Branco. Como é sabido, Sidónio Pais tinha uma numerosa corte de admiradoras de todas as classes sociais que lhe prestava uma autêntica veneração. Era jovem e bem parecido, muito aprumado. Morreu aos 46 anos.
             O Parlamento português, nos termos do parágrafo 32 do artigo 382 da Constituição da altura elegeu então para Presidente da República o Secretário de Estado da Marinha e interino dos Estrangeiros contra-almirante Canto e Castro Silva Antunes.

Informação retirada daqui

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Biografia de Maria de Lourdes Pintassilgo

domingo, 23 de abril de 2017

Biografia de José Estêvão Coelho de Magalhães

n.      26 de novembro de 1809.    
f.       3 de novembro de 1862.

Notável orador político, bacharel formado em direito pela Universidade de Coimbra, jornalista, deputado, etc.

Nasceu em Aveiro a 26 de novembro de 1809, faleceu em Lisboa a 3 de novembro de 1862. Era filho do médico Luís Cipriano Coelho de Magalhães (V. este nome), e de sua mulher, D. Clara Miquelina de Azevedo Leitão.

Quando em 1810, os exércitos franceses invadiram Portugal, vendo-se o Dr. Magalhães obrigado a fugir de Aveiro, mandou o filho para casa da avó materna, D. Ana Joaquim Ribeiro da Costa, que era muito extremosa pelo neto, e de cuja educação cuidou até que em 1821 seu pai novamente o chamou para junto de si. José Estêvão teve então o grande desgosto de perder sua mãe. Seu pai tratou da sua educação literária, e mandou-o para a aula de instrução primária dum professor de Aveiro, chamado Custódio José Baptista, e depois passou a ouvir as lições de latim de José Lucas da Silveira, estudando juntamente lógica com Francisco Inácio de Mendonça, e retórica com o padre Manuel Xavier, poeta e pregador muito respeitado. Terminados os estudos preparatórios, o moço estudante desejava seguir a vida eclesiástica, mas o pai tratou de o dissuadir dessa ideia, e José Estêvão matriculou-se em 1825 no 1.° ano de direito na Universidade de Coimbra. Cheio de ardor, de crenças, de aspirações e de mocidade, sentindo o fogo da eloquência que o arrebatava, começou a manifestar, nos clubes políticos que se formatam entre os académicos, o seu decidido amor à liberdade e o arrojo e energia de que mais tarde nos campos da batalha, nas lides da imprensa e nas lutas parlamentares, deu tão elevados testemunhos.

José Estêvão continuava a cursar as aulas no meio da grande agitação que lavrava no país, e chegando o mês de maio de 1828, em que os liberais resolveram protestar pela força contra o procedimento do infante D. Miguel, o moço estudante entrou de corpo e alma na conspiração, que abortou, fazendo parte do batalhão académico que então se organizara, e em que tinha o posto de cabo. Começaram logo as perseguições de que havia de ser vítima, e aos dezanove anos de idade, ainda incompletos, teve de emigrar para a Galiza, com os seus companheiros, e embarcando em Ferrol com destino a Inglaterra, e desembarcando em Plymouth, ali se conservou até ao momento de poder ir associar se aos liberais que levantaram a sua bandeira na ilha Terceira, Com o seu modesto posto de cabo da companhia de artilheiros do batalhão académico serviu José Estêvão durante todo o tempo que as forças constitucionais se conservaram nos Açores, e não tendo entrado na acção da Vila da Praia por estar destacado no interior da ilha Terceira, tomou parte na conquista das ilhas do arquipélago, e com o exército de D. Pedro embarcou para Portugal, vindo desembarcar no Mindelo em 8 de julho de 1832. Os bravos académicos foram encarregados da defesa da Serra do Pilar, e da forma como se houveram nos ataques dos dias 13 e 14 de outubro do mesmo ano de 1832, o general Ponce de Leão, mais tarde visconde da Serra do Pilar, no seu relatório ao governo elogiava muito os voluntários académicos e o seu comandante, especializando no combate do dia 13, José Estêvão Coelho de Magalhães, José Silvestre Ribeiro e o alferes Alexandre Carvalhal Silveira, que encarregados dos trabalhos de fortificação, dirigiram o estabelecimento da brecha debaixo dum vivíssimo fogo da artilharia, e no dia imediato tiveram um comportamento igual ao dos seus camaradas. Por essa ocasião José Estêvão recebeu o hábito da Torre e Espada. Continuando a servir no cerco do Porto como voluntário académico, deu novamente provas da sua bravura em diferentes ocasiões, e sendo despachado 2.º tenente de artilharia em 4 de abril de 1833, logo na acção de 25 de julho se assinalou no reduto que se tornou célebre com o nome de flecha dos mortos. Acompanhado unicamente de vinte soldados, defendeu tenazmente esse ponto das fortificações, e vendo cair mortos a seu lado os seus subordinados, sem perder o ânimo, ia sempre continuando o fogo, dirigindo as pontarias com tal acerto, que nas fileiras miguelistas era grande o estrago. Quando lhe restava apenas um soldado e não podia, portanto, continuar o serviço da peça, ainda se conservou no seu posto, até que o oficial inimigo entrou no seu reduto, e então com o atrevimento que lhe era próprio, chamuscou as barbas do adversário com a vela mista que tinha na mão, e sob um chuveiro de balas deitou a correr para a retaguarda a unir-se ás forças liberais. Por essa heróica defesa recebeu José Estêvão e grau de cavaleiro da Torre e Espada, por decreto de 15 de agosto de 1833. mas como essa distinção já lhe havia sido conferida, conforme citámos, foi em 7 de fevereiro de 1834 elevado a oficial da mesma ordem, por um decreto muito honroso. Nos últimos tempos da campanha José Estêvão fez parte das forças, que ás ordens de Saldanha, continuaram a luta contra os miguelistas, e terminada a guerra foi promovido a 1.º tenente em 24 de julho de 1831. Em outubro seguinte matriculou-se no 3.° ano da faculdade de direito, porque tinha sido dispensado do exame do 2.º ano, pelo decreto de 8 de março de 1833, que deu perdão do acto aos académicos, que se alistaram no exército constitucional.

Em 1837 concluiu o curso de Direito, e estava resolvido a deixar a carreira militar para ir exercer a advocacia na cidade do Porto, mas o pai contrariou-o nesse desejo, e fazendo-o eleger representante dos povos de Aveiro, no congresso constituinte que se ia reunir depois da revolução de Setembro, conduziu-o assim ao campo em que tanto se havia de assinalar. Foi na tribuna parlamentar, sustentando os princípios e as ideias liberais, ou defendendo a honra da pátria ultrajada por nações mais poderosas, que José Estêvão ganhou os direitos à imortalidade e o nome de notável orador português. Entusiástico democrata acolheu com aplauso a revolução de Setembro de 1836, pronunciou o seu primeiro discurso parlamentar em 5 de abril de 1837, que foi como uma profissão de fé politica, o seu programa de partidário ardente das ideias progressistas, que queria ver afirmadas na constituição que se estava discutindo, e foi decretada no anho seguinte. Rodrigo da Fonseca Magalhães e Costa Cabral, inimigos da constituição democrática, tiveram nele um dos seus mais terríveis adversários. Não se contentando com a tribuna do parlamento, e julgando que para melhor propagar as suas ideias, era preciso ter um jornal à sua disposição, fundou, com Manuel António de Vasconcelos, O Tempo, cujo primeiro número saiu a 29 de janeiro de 1838, sendo o artigo de fundo escrito por José Estêvão, que nele combatia os planos financeiros do governo e as propostas feitas pela direcção do Banco de Lisboa, para um empréstimo ao tesouro. A oposição o de José Estêvão não se limitava, porém, só aos seus artigos no Tempo e aos seus discursos no parlamento e no Clube dos Camilos, que foi uma das sociedades politicas dessa época, que mais celebridade, alcançou; também José Estêvão, com a sua palavra inflamada, não se cansava de verberar os actos do ministério, que julgava não ter força necessária para defender a revolução contra as intrigas e manejos dos adversários dela. Discutiam-se nos Camilos as proposições mais exaltadas, e como se sabia que a rainha só constrangida havia aderido à revolução, alguns membros do clube envolviam o trono nos seus ataques ao ministério; mas José Estêvão, que na sua profissão politica, dissera querer um rei só com ministros responsáveis a executar só, conservava-se firme nessas ideias. 

Terminada a missão do congresso, reuniram-se em dezembro de 1838 as novas câmaras, e José Estêvão, nomeado relator da comissão da resposta ao discurso da coroa, reprovou com toda a energia a marcha politica do gabinete. Este ministério durou até abril de 1839, em que se formou outro gabinete presidido pelo barão da Ribeira de Sabrosa. A este ministério prestou José Estêvão o seu apoio franco e decidido; a 26 de novembro, eram chamados aos conselhos da coroa Rodrigo da Fonseca Magalhães e Costa Cabral, cujos sentimentos cartistas eram bem conhecidos, e por isso José Estêvão fez a esse ministério uma guerra crudelíssima tanto no parlamento como na imprensa. A demissão do barão da Ribeira de Sabrosa e a formação do ministério, que lhe sucedeu, foram atribuídas à influencia de lord Palmerston e do ministro britânico em Lisboa, e por isso José Estevão escreveu uma sátira pungentíssima, que apareceu no Atleta do Porto, sendo depois transcrita no primeiro numero na Lança, que então começou a publicar-se em Lisboa. Essa sátira, em que se contava o baptizado do ministério, tornou-se célebre, e nela se encontra bem desenhada a situação do governo no princípio do ano de 1840. Reunidas as cortes em janeiro deste ano, a oposição dirigiu ao governo os mais vivos ataques na discussão da resposta ao discurso da coroa, e foi nesse debate que José Estêvão teve por principal adversário outro grande orador, Almeida Garrett, que pertencendo ao centro da câmara, era então um dos defensores do ministério. Foi na sessão de 6 de fevereiro de 1840 que José Estêvão pronunciou o seu primeiro discurso contra o projecto de resposta ao discurso da coroa, e foi ali que ele aludiu ao Porto Pireu, o que deu causa à celebrada réplica de Garrett, que ficou conhecida na história parlamentar portuguesa pelo nome de discurso do Porto Pireu. O debate entre estes dois contendores notáveis, tornou-se imponente durante algumas sessões. Em vista do número e qualidade dos deputados que contava a oposição, entendeu o governo que, devia propor à rainha a dissolução das cortes, mas para a nova legislatura foi ainda reeleito José Estêvão, que continuou a sua luta pertinaz contra o ministério, pronunciando, além de outros, dois importantes discursos, um na sessão de 3 de junho sobre a eleição do 1.° circulo do Porto, e outro acerca do projecto de lei sobre o censo eleitoral. Foi nesse ano de 1840, que José Estêvão alcançou em concurso público a cadeira de economia politica da Escola Politécnica, tendo por competidor nesse certame José Maria Eugénio de Almeida. Deixou muitos apontamentos das suas lições, publicando o excerto dum deles, a respeito da emigração, no Arquivo Pitoresco de 1862. Foi José Estêvão, com o seu amigo e patrício Manuel José Mendes Leite, que fundou a Revolução de Setembro, jornal que principiou a publicar-se em 22 de junho de 1840. António Rodrigues Sampaio foi também um dos redactores, e com a sua pena enérgica e virulenta tornou-se sócio inseparável de José Estêvão nas lutas politicas, e nos perigos e trabalhos que sofreram. 

Depois de levada a cabo a restauração da Carta em 1842, José Estêvão continuou na Revolução de Setembro a combater o governo mostrando-se também vigoroso na câmara, onde entrou como representante de Lisboa, porque o ministério tais diligencias empregou para lhe contrariar a eleição, que o distinto deputado não pôde fazer vingar a sua candidatura por Aveiro, que sempre o elegera. Nessa legislatura a oposição contava um pequeno numero de deputados, e embora entre eles se contassem alguns dos homens mais distintos do partido liberal, as suas vozes eram abafadas pela, importância numérica da maioria, e o governo tinha a certeza da aprovação de todos os seus actos. Foi então que António César de Vasconcelos, depois conde de Torres Novas, saindo de Lisboa para aquela vila, em fevereiro de 1844, se pôs à frente do Regimento de Cavalaria n.º 4, e levantou o grito de revolta contra o ministério. José Estêvão e muitos outros militares e paisanos do partido progressista, foram juntar-se a César de Vasconcelos, o qual, com as forças que pôde reunir, marchou sobre Almeida. José Estêvão fora mandado antes a essa praça para dispor e preparar a revolução popular nas províncias do norte, e lá estava ainda quando as tropas do governo, sob o comando do conde de Fonte Nova, puseram a Almeida um apertado circo. A posição dos sitiados agravava-se de dia para dia com a falta de víveres, e era indispensável que os povos do norte se levantassem para chamar a atenção das forças do governo, pois doutro modo a praça fatalmente havia de capitular em pouco tempo. No meio da irresolução dos chefes e da desanimarão que já começava a manifestar-se entre os soldados, José Estêvão ofereceu-se para atravessar as linhas do inimigo e ir preparar a revolução na Beira e Trás-os-Montes. Na noite de 7 de abril, com o maior segredo e as possíveis precauções, saiu da praça pela paterna de S. João de Deus, acompanhado de João Bernardino da Silva Borges, Germano José Guedes, António Maria, proprietário na vila de Almeida e um guia prático daqueles sítios. Caminharam toda a noite espreitando o movimento das patrulhas dos sitiantes, até que chegaram de madrugada a uma ceara de centeio, onde o guia os deixou para se ir orientar no terreno. Voltando pouco depois, anunciou-lhes que estavam perdidos. José Estêvão decidiu caminhar até um outeiro próximo para dali descobrir campo. Apenas chegaram ao alto, as cornetas e os tambores das tropas do governo e um tiro de peça disparado contra a praça, demonstraram a José Estêvão e aos seus companheiros que estavam na retaguarda do quartel general do conde de Fonte Nova, e que por trás deles ficava a raia portuguesa. Desceram o outeiro, tendo já nascido o sol, e depois duma marcha forçadíssima passaram ás nove horas da manhã o rio que divide Portugal da Espanha. A pouca distância do lugar onde descansaram, viram um pastor de cabras, e chamaram-no para junto de si; o qual vinha acompanhado duma rapariguinha loura e esperta, que foi um grande auxiliar para José Estêvão e dos seus companheiros, porque tendo-lhe feito perceber a sua situação e o estado de fraqueza em que estavam, imediatamente a rapariga lhes improvisou um almoço com o leite das cabras e um pedaço de pão de centeio que o pastor possuía. José Estêvão informou-se que estavam na aldeia de Almofala, e como tinha ali um amigo, mandou pedir-lhe que viesse ter com ele. Não tardou que aparecessem três homens que levaram os fugitivos para a casa duma fazenda próxima, onde foram servidos com um bom jantar, tudo feito com as maiores precauções, porque a raia estava cheia de tropas espanholas. Pela meia-noite os amigos de Almofala mandaram três boas cavalgaduras, em que os revolucionários montaram, e guiados por um contrabandista marcharam para Subradillo, onde se esconderam dentro dum palheiro, e ali estiveram o dia todo. Às nove horas da noite seguinte marcharam sobre o Douro, que atravessaram numa barca espanhola. Esconderam-se depois todos três atrás dumas grandes pedras que ficavam a pouca distância, e ao romper da manhã destacou José Estêvão o Guedes para Moncorvo, com cartas para os setembristas dali. A este tempo, já Costa Cabral havia mandado a todos os governadores civis das diferentes províncias do reino, uma portaria circular, em que se oferecia o prémio de 2.000$000 réis à pessoa que apresentasse ao governo a cabeça de José Estêvão. Depois de vinte e quatro horas voltou o Guedes com muitos homens do Moncorvo, amigos pessoais e políticos de José Estêvão, que todos juntos marcharam logo para Freixo de Espada à Cinta. Naquela vila encontrou já todos os elementos revolucionários da província, que puseram à disposição de José Estêvão o dinheiro enviado pelo centro revolucionário do Porto. Dois dias depois marcharam todos para Moncorvo, e os setembristas dali propuseram que se fizesse imediatamente um grande pronunciamento popular em toda a margem do Douro contando com o destacamento de Cavalaria 6 e com a Guarda Nacional de Vila Flor, Foz Côa e Mirandela. José Estêvão opôs-se ao pronunciamento, receoso da pouca segurança dos meios. Destacou para Chaves João Bernardino e para Bragança Germano José Guedes, com instruções para se entenderem com os setembristas daqueles dois pontos, e intentarem o levantamento dos depósitos de recrutas de Caçadores 3, Infantaria 13 e Cavalaria 6, e ele foi estabelecer a sua residência em Murça, como ponto central. Este plano falhou, porque todos os elementos com que José Estêvão contava em Chaves e Bragança, tinham sido inutilizados pelo governo. Depois desta tentativa em que se perdeu muito tempo, decidiu afinal José Estêvão o pronunciamento popular da província, e com esse fim mandou João Bernardino para Veiga de Lila, o qual, de acordo e debaixo da direcção de Júlio do Carvalhal, conseguiu levantar algumas forças populares na montanha auxiliadas pelos setembristas influentes de Vila Pouca de Aguiar. Tudo estava pronto e habilmente preparado para o dia designado. José Estêvão devia sair de Murça com os populares que estivessem armados, e marchar com eles a tomar o comando das forças revolucionadas por Júlio de Carvalhal, enquanto nos outros dois pontos da província os demais caudilhos, já, prevenidos, levantariam simultaneamente o grito a favor da causa sustentada em Almeida. No dia designado para a partida de José Estêvão, recebeu se a notícia da capitulação da praça, e soube-se que, as forças cabralistas marchavam sobre Trás-os-Montes. José Estêvão ainda tentou resistir, mas os ânimos estavam desmoralizados, e os populares abandonaram-no. Nestas circunstancias partiu sozinho para Espanha pela raia de Castela, e foi encontrar-se com os emigrados em Salamanca, onde entregou o dinheiro que tinha recebido no Porto para acudir ás necessidades da emigração, e pedindo licença a César de Vasconcelos, tomou passaporte para Paris.

Pouco depois dessa revolta, na sessão de 18 de outubro de 1844, Passos Manuel proferiu um notável discurso em que se referiu a José Estêvão com algumas palavras muito elogiosas. José Estêvão conservou-se quase dois anos em Paris, voltando depois da revolução de maio de 1846, porque só então é que puderam regressar a Portugal os emigrados de Almeida. Apenas chegou a Lisboa tomou parte activa na política, e de acordo com António Rodrigues Sampaio e com os seus amigos políticos redigiu o programa da Associação eleitoral setembrista, que o golpe de estado de 6 de outubro não deixou pôr em pratica. Depois de andar por alguns dias escondido em diferentes casas, disfarçou-se com hábitos eclesiásticos, e passou a Salvaterra, donde em companhia de César de Vasconcelos foi a Santarém promover a revolução a favor da junta do Porto. Com o mesmo intento visitou as Caldas, Alcobaça e Nazaré, e voltando a Santarém foi nos princípios de dezembro mandado a Setúbal para organizar a defesa dessa terra, e com as forças que pudesse reunir, tentar um golpe de mão sobre Almada. Chegou a Setúbal na madrugada de 10 de dezembro, acompanhado pelo seu ajudante de ordens Domingos Ardisson, e fez logo organizar uma comissão delegada da junta do Porto, mas não se encontrando ali armas nem munições, desistiu do projecto de fortificar a vila, que pouco depois teve de abandonar precipitadamente, porque ao anoitecer do dia 11 chegou a noticia da aproximação das tropas de Lisboa, que estavam em Azeitão sob o comando do general visconde de Setúbal. José Estêvão marchou com as suas forças para Alcácer do Sal, e unindo-se ali com o célebre Galamba (V. este nome), seguiram todos para Évora. Encontrando-se a meio caminho com as tropas do comando do conde de Melo, marcharam todas essas forças do partido da junta para Alcácer do Sal, e daí para Águas de Moura, onde chegaram no dia 23 com a ideia de atacarem Setúbal no dia seguinte. Segundo as ordens recebidas nessa noite, o conde de Melo aproximou-se do Tejo, mas tendo em Canha na manhã de 25 recebido participação da derrota de Torres Vedras, voltou para Évora, e daí mandou José Estêvão e Anselmo José Braamcamp ao Algarve para nessa província levantarem novas forças e obterem os meios pecuniários indispensáveis para a continuação da guerra civil. Do Algarve vieram reforços ao general da junta, que nomeou José Estêvão seu quartel mestre general. Nesta qualidade serviu o valente tribuno o resto da campanha, até que a intervenção estrangeira veio pôr termo a essa renhida luta, ajustando-se a convenção de Gramido, assinada em 30 de junho de 1847. O partido setembrista que se vira obrigado a depor as armas, preparou-se logo para tomar parte activa nas eleições de deputados, e José Estêvão, como um dos membros mais importantes desse partido, promoveu o primeiro meeting eleitoral que se reuniu em Lisboa, e nele falou com a sua habitual eloquência, arrebatando com as suas palavras entusiásticas, todos os que assistiram a essa assembleia. Tais foram, porém, os meios empregados pelo governo para afastar José Estêvão do parlamento, que ele não pôde alcançar ser eleito por Aveiro, sua terra natal, e até 1851 viu-se obrigado a limitar a sua oposição ao ministério a alguns artigos na Revolução de Setembro.

Com a mudança politica de 1851, que se tornou conhecida pelo nome de Regeneração, José Estêvão voltou a ter assento na câmara dos deputados, e defendendo com todo o vigor o impulso dado pelo governo aos melhoramentos materiais, ele próprio apresentou um projecto para a construção do caminho de ferro de Vila Nova da Rainha ao Porto, e segundo o qual os trabalhos deviam começar infalivelmente no 1.° de janeiro de 1853. Com a queda do gabinete regenerador e a entrada no poder o ministério histórico, José Estêvão passou a militar nas fileiras da oposição, e em vários discursos acentuou bem as suas ideias políticas. Este ministério presidido pelo duque de Loulé foi substituído em 1859 por um gabinete regenerador, ao qual José Estêvão prestou todo o seu apoio; havendo, porém, este ultimo ministério pedido a sua demissão em 1860 sem o comunicar aos homens mais importantes do seu partido, o grande tribuno magoou-se profundamente com o que ele tomou por desconsideração. As suas relações com o partido regenerador esfriaram bastante, até que rebentando a questão das irmãs da caridade francesas, se romperam de todo, porque não quis acompanhar os regeneradores no terreno que escolheram, e pôs-se deliberadamente ao lado do ministério progressista histórico, que se mostrava disposto a não consentir que aquelas religiosas viessem introduzir no ensino português um elemento reaccionário. Foi um dos seus mais notáveis discursos o que pronunciou nessa ocasião, ocupando a atenção da câmara e das galerias, repletas de espectadores, durante duas sessões sucessivas. Desde então parece ter começado a pensar na organização dum partido novo. Voltando o duque de Loulé ao poder, foi dissolvida a câmara dos deputados e José Estêvão, que se apresentou candidato por Aveiro, dirigiu aos seus eleitores uma carta com a data de 15 de abril de 1861, em que apresentava o novo partido que começava a formar-se, declarando os motivos porque se organizara e o plano que se propunha a seguir. Para defender na imprensa o novo partido, criou Freitas de Oliveira o jornal Liberdade, que principiou a publicar-se a 26 de junho de 1861, sendo o primeiro artigo escrito por José Estêvão. Entrando no parlamento, logo na discussão do discurso da coroa desenvolveu o seu programa político. Foi também notável o seu discurso na questão da barca francesa Charles et George; o sentimento do acrisolado amor pátrio, protestando contra um acto de brutal abuso da força por parte duma nação, que querendo talvez desfeitear a Inglaterra, ofendia os nossos brios, abusando da nossa fraqueza, tais foram a inspiração daqueles dois eloquentíssimos discursos, que fizeram época nos factos parlamentares. Com a ideia de organizar um partido novo, promoveu José Estêvão no escritório da Política Liberal uma conferência de alguns homens políticos e redactores de jornais, e nessas reuniões se assentou em formular um manifesto que seria assinado pelos jornais ali representados e redigido por José Estêvão. O manifesto apareceu nos jornais de 27 de setembro de 1861, mas pouco efeito produziu. Foi, portanto, necessário adiar a organização do novo partido, e quando em 1862 o marquês de Loulé tratou de recompor o gabinete a que presidia, desejando chamar ao seu partido o grande tribuno, convidou-o para a pasta do reino. Desenvolveu-se então grande intriga procurando afastá-lo do ministério, o que desgostou profundamente o carácter honrado de José Estêvão. Depois de encerradas as cortes, foi José Estêvão passar algum tempo em Cascais, e havendo-se entabulado outra vez negociações para a entrada dele no ministério, quando voltou em Lisboa nos meados de outubro, parece que estava tudo disposto para dentro em pouco lhe ser confiada a pasta do reino, mas acometido de doença mortal no dia 2 de novembro, faleceu dois dias depois.

A sua morte causou a mais profunda impressão; o enterro foi uma manifestação imponentíssima, milhares de pessoas acompanharam o féretro a pé até ao cemitério dos Prazeres; fizeram-se representar as câmaras dos pares e dos deputados, a Sociedade das Ciências Médicas, a Sociedade de Geografia, todas as associações e clubes, colégios, institutos, sociedades de recreio, corporações de bombeiros municipais e de voluntários, asilos, etc. As duas câmaras parlamentares, apenas souberam a triste noticia, levantaram a sessão depois de sentidos discursos dalguns pares e deputados. Por espaço de oito dias se conservou coberta de crepe a cadeira do grande orador. Foi resolvido que a câmara mandasse lavrar em mármore o busto de José Estêvão, para ser colocado na biblioteca do corpo legislativo, e se abrisse uma subscrição nacional para se erigir um monumento fúnebre à memória do notável orador. À beira da sepultura discursaram Luís Augusto Rebelo da Silva, Jacinto Augusto de Freitas Oliveira, José da Silva Mendes Leal e José Manuel Gonçalves, falando este ultimo em nome das criancinhas do Asilo de S. João, de que José Estêvão fora um dos fundadores e presidente. Todos os jornais do país publicaram sentidos artigos necrológicos. O seu cadáver foi posteriormente trasladado para Aveiro em maio de 1864, sendo sepultado em jazigo que ele mandara ali construir. Na casa onde nasceu naquela cidade mandou a respectiva câmara municipal colocar em 1887 uma lápide comemorativa. José Estêvão também se distinguiu no foro, aparecendo ali duas vezes dum modo brilhante; da primeira em defesa do periódico Portugal Velho, e da segunda defendendo um boticário acusado de ter mandado matar seu sogro, conseguindo a absolvição dos seus constituintes. 

Era casado com D. Rita de Miranda Coelho de Magalhães, filha do médico Custódio Luís de Miranda e de D. Margarida de Miranda de Moura. Esta senhora era natural do Porto, onde também faleceu a 2 de outubro de 1904.

Para a biografia de José Estêvão Coelho de Magalhães pode ver-se a Revista Contemporânea de Portugal e Brasil, tomo, I, 1859, artigo de Rebelo da Silva; Os varões ilustres, pelo mesmo escritor; Apontamentos sobre os oradores parlamentares de 1853 por um deputado, de Cunha Rivara; Esboço histórico, de Jacinto Augusto de Freitas Oliveira; Arquivo Pitoresco, vol. V; Dicionário Universal, Português Ilustrado, vol. VI, etc.

Biografia retirada daqui




sexta-feira, 21 de abril de 2017

Biografia de Mário Soares


Como figura incontornável da vida portuguesa, Mário Soares é, com muita frequência, solicitado a pronunciar-se sobre os acontecimentos de maior relevância que envolvem o país.

Mário Soares nasceu em Lisboa, a 7 de Dezembro de 1924. As acções políticas que encetou contra o Estado Novo desde os tempos de estudante da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, tiveram como consequência ter sido preso 13 vezes pela PIDE (polícia política) e ainda ter sofrido, em 1968, uma deportação para São Tomé. Tendo concluído, em 1951, a licenciatura em Ciências Histórico-Filosóficas iniciou, na mesma Universidade, o Curso de Direito, tendo-o concluído em 1957. Como advogado, defendeu, em tribunais plenários, inúmeros opositores ao regime. Devido às constantes perseguições que a polícia política lhe fazia, viu-se obrigado, em 1971, a refugiar-se em Paris. Foi um dos fundadores, em 1973, do Partido Socialista, do qual foi o primeiro secretário-geral. Regressou a Lisboa em 1974, logo após o derrube do regime, tendo sido chamado a desempenhar as funções de Ministro dos Negócios Estrangeiros, no âmbito das quais desenvolveu negociações conducentes à independência das colónias portuguesas. Opôs-se à tentativa de um sector de militares sublevados que pretendiam conduzir progressivamente o país para um regime de extrema esquerda. Demitiu-se do cargo em Março de 1975, passando a ocupar um ministério sem pasta. Volvidos dois meses, demitiu-se, igualmente, deste cargo. Foi primeiro-ministro de 1976 a 1978 e de 1983 à 1985. Negociou, de 1977 a 1985, com pleno sucesso, a entrada de Portugal na Comunidade Europeia (actual União Europeia). Foi presidente da República dois mandatos sucessivos, de 1986 a 1996, tendo iniciado as chamadas presidências abertas, durante as quais percorreu muitas regiões do país, auscultando directamente as aspirações e as reclamações populares, dando assim início a uma nova postura presidencial. Desempenhou, posteriormente, as funções de eurodeputado no Parlamento Europeu. Actualmente, tem-se dedicado à escrita, à coordenação da Fundação a que deu o seu nome e à intervenção em inúmeros congressos e debates.

Informação retirada daqui


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quarta-feira, 19 de abril de 2017

Biografia de Manuel Fernandes Tomás

A figura mais importante do primeiro período liberal.Nasceu na Figueira da Foz, em 30 de Junho de 1771, e faleceu em Lisboa em 19 de Novembro de 1822.

De família burguesa, bacharelou-se em Direito em 1791, tendo ingressado na magistratura em 1801, sendo o seu primeiro cargo o de Juiz de Fora de Arganil. 

Em 1805 é Superintendente das Alfândegas e dos Tabacos das comarcas de Aveiro. Coimbra e Leiria, o que é actualmente considerado a Beira Litoral, e durante as invasões francesas deu uma valiosa  colaboração ao exército aliado, no serviço de abastecimentos, enquanto Deputado-Comissário do Exército português, cargo que acumulou com o provedor da comarca de Coimbra.

Em 1811 foi nomeado desembargador da Relação do Porto, posto que ocupará somente em 1817. Criador em 1818 do Sinédrio, com Ferreira Borges, Silva Carvalho e Ferreira Viana, é o motor do movimento de 24 de Agosto de 1820.

Figura primacial do liberalismo vintista, fez parte da Junta Provisional do Governo Supremo do Reino, criada no Porto,  que administrou o Reino. após a revolução liberal, sendo encarregue dos negócios do Reino e da Fazenda.

Eleito deputado às Cortes Constituintes, pela Beira, elaborou as bases da Constituição que D. João VI jurou em 1821.

Publicou o Repertorio Geral, ou Indice Alphabetico das Leis Extravagantes do Reino de Portugal, impresso pela Universidade de Coimbra, entre 1815 e 1819.

Fonte: Joel Serrão (dir.)Pequeno Dicionário de História de Portugal,Lisboa, Iniciativas Editoriais, 1976

Informação retirada daqui

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Biografia de Francisco Pinto da Cunha Leal

Membro do Partido Nacionalista, fundou a União Liberal Republicana em 1923. Apoiante do golpe de Estado do 28 de Maio de 1926, cedo passou a opor-se à nova situação política.

Nasceu em Pedrógão, Penamacor, a 22 de Agosto de 1888; morreu em Lisboa, a 26 de Abril de 1970.

Tenente de Engenharia, serviu em Angola, tendo sido nomeado director dos Caminhos de Ferro da província. Regressado a Portugal, serviu em França durante a 1.ª Guerra Mundial no Corpo Expedicionário Português. Tendo vindo de licença, foi um dos muitos oficiais que não regressou à frente, tendo sido nomeado director-geral dos Transportes Terrestres.

Começou então a sua carreira política, militando no partido centrista de Egas Moniz. Apoia Sidónio Pais, tendo sido eleito deputado ao parlamento de 1918, de acordo com as regras eleitorais definidas pelo novo regime. Participa na revolta de Santarém de Janeiro de 1919 contra o governo de Tamagnini Barbosa, acusado de estar sobre a influência dos monárquicos. Ministro das Finanças nos governos de Álvaro de Castro e de Liberto Pinto, de Novembro de 1920 a Janeiro de 1921, é também director do jornal O Popular. De Dezembro de 1921 a Fevereiro de 1922 é presidente do governo, acumulando com a pasta do Interior. Dirigindo um governo de concentração de vários partidos, quer acabar com a onda revolucionária que assulou o país, e provocou o episódio da Noite Sangrenta, en que morreram vários dirigentes políticos republicanos. O governo pressionado pela GNR, viu-se obrigado a retirar para Caxias e a chamar o Exército para cercar Lisboa. Tendo-se realizado eleições a 29 de Janeiro de 1922 ganhas pelo Partido Democrático, Cunha Leal pediu a demissão. 

Nomeado director de O Século, em Março de 1923 a sua última experiência governativa dura um mês, enquanto ministro das Finanças no governo nacionalista de Ginestal Machado, de 15 de Novembro a 18 de Dezembro de 1923, experiência que ficará conhecida como a Intentona Putchista. No dia anterior à demissão tinha discursado na Sociedade de Geografia afirmando que «a ditadura salvadora para Portugal há-de vir, trazida pela força das circunstâncias». 

Reitor da Universidade de Coimbra em 1924 e 1925, Cunha Leal será preso em 19 de Abril de 1925 na sequência do Golpe dos Generais do dia anterior. Liberto pouco tempo depois, em Setembro defenderá com Tamagnini Barbosa os oficiais que participaram na Revolta. Tendo sido obrigado a deixar a chefia do Partido Nacionalista, em 1926 fundou a União Liberal Republicana. 

Apoiante do golpe de estado de 28 de Maio de 1926, foi escolhido para vice-governador do Banco Nacional Ultramarino, mas a eternização da ditadura leva-o para a oposição ao regime militar. Tendo proposto ao general Carmona, presidente do governo e depois da República a partir de 1926, a nomeação de Salazar para a pasta das finanças, em 1930 enquanto governador do Banco Central de Angola critica publicamente os efeitos que a política financeira do ministro têm em Angola, assim como a sua interferência no orçamento e nas finanças da província. Demitido quinze dias depois, será preso em Maio desse mesmo ano acusado de conspirar contra o governo. Enviado para os Açores evade-se em Novembro só regressando a Lisboa em finais de 1932, devido a uma amnistia. Em 1934 e 1935 é director da Vida Contemporânea, tendo sido deportado novamente em 1935.

Passando para a oposição clara ao Estado de Novo, participa enquanto independente por Angola nas listas do Movimento de Unidade Democrática (MUD) às eleições de 18 de Novembro de 1945. Dois dias antes do escrutínio ataca violentamente Salazar afirmando: «não quer nem sabe trabalhar senão quando nas ruas reina um pávido silêncio e ninguém discute os frutos do seu labor». Será candidato da oposição nas eleições para a Assembleia Nacional de 1949. Em 1950 participa no Directório Democrato-Social, criado por António Sérgio, Jaime Cortesão e Mário Azevedo Gomes e em 1951 é um dos principais apoiantes, com Henrique Galvão, da candidatura de Quintão de Meireles à Presidência da República, eleições ganhas pelo general Craveiro Lopes.

Fontes:
Verbo, EnciclopédiaLuso-Brasileira de Cultura, Vol. 11.º;
Centro de Estudos do Pensamento Político, do Instituto de Ciências Sociais e Políticas, da Universidade Técnica de Lisboa;
The Contemporary Portuguese Political History Research Centre

Biografia retirada daqui 

sábado, 15 de abril de 2017

Biografia de Francisco Manuel Trigoso de Aragão Morato

Um dos representantes do liberalismo conservador.
Nasceu em Lisboa,  em 17 de Setembro de 1777;
morreu em 11 de Dezembro de 1838.

Estudou no Colégio dos Nobres, e depois de ter concluído os estudos secundários, cursou Cânones na Universidade de Coimbra.

Doutorou-se em 1799, com 22 anos, obtendo a classificação de muito bom, tornando-se lente de Instituições Canónicas. Em 1806 foi nomeado Comissário das Escolas e Estudos da Corte e Província da Estremadura.

Em 1810 foi nomeado pela Regência para membro da Comissão encarregada do exame dos Forais. Nada foi decidido sobre a reforma dos forais, e a Comissão passou a preocupar-se com a reforma e uniformização dos Pesos e Medidas.

Em 1812 foi eleito vice-secretário da Academia das Ciências, e em 1814 tornou-se sócio efectivo. Em 1820 foi eleito deputado às Cortes Constituintes, de que foi presidente várias vezes. 

Com a Vila-Francada retirou-se de Lisboa, sendo chamado de novo a Lisboa, por Palmela, para participar na elaboração da Carta Constitucional prometida por D. João VI. Com a subida ao poder de D. Miguel retirou-se da vida política, regressando à política mais uma vez, quando em Julho de 1833, Lisboa foi tomada pelas tropas liberais do duque da Terceira. Morato sempre fez parte do grupo político do duque Palmela.

Em 1834, com a vitória do regime liberal, foi nomeado Par do reino e vice-presidente da câmara respectiva. Em 1836, após a Revolução de Setembro tentou uma conciliação dos cartistas com Manuel da Silva Passos, chefe dos setembristas, que não teve sucesso.

Fontes:Francisco Manuel Trigoso de Aragão Morato, Memórias ..., Coimbra, Imprensa da Universidade, 1933,Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Biografia de Manuel da Silva Passos

n.       5 de janeiro de 1801.
f.        16 de janeiro de 1862.

Um dos vultos mais proeminentes das lutas liberais; bacharel formado em leis pela Universidade de Coimbra; advogado, deputado em diversas legislaturas, par do Reino, ministro de Estado, etc. Nasceu na freguesia de S. Martinho, de Guifões, concelho de Bouças, distrito do Porto, a 5 de janeiro de 1801, faleceu em Santarém a 16 de janeiro de 1862. Era irmão mais novo de José da Silva Passos (V.o artigo antecedente). 

Ambos os irmãos começaram desde muito novos a manifestar uma inteligência notável, e seus pais, lavradores pouco abastados, reconhecendo que o melhor legado que poderiam deixar-lhes, era a instrução, empregaram todos os possíveis esforços para que recebessem uma boa educação literária. Depois de frequentarem os estudos menores, como então se dizia, os dois irmãos foram para a Universidade. de Coimbra, e matricularam se em 1817, destinando-se Manuel Passos à faculdade de leis. Muitos portugueses andavam influenciados pelas ideias republicanas que se haviam desenvolvido na França, e Portugal sofrendo também terríveis consequências dessas ideias, havia suportado três invasões, e, visto com desgosto o abandono da família real, que se refugiara no Brasil, apenas se dera a primeira invasão. Manuel Passos, e José Passos, mais velho do que ele e companheiro inseparável das suas fadigas e infortúnios, preocupados com o estudo, estimulados nos brios pela honrosa competência das lides intelectuais, cursavam as aulas, quando a Revolução de 1820 os veio surpreender, abrasando-lhes o entusiasmo, e despertando-os para a realidade dumas ideias liberais tão conhecidas nos seus sonhos de imaginação ardente e exaltada. Manuel Passos prosseguia o curso com tanta distinção, que recebia um prémio pecuniário de 40$000 reis, vindo a formar-se em 1822. 

Com o entusiasmo pelas ideias liberais, fundou em Coimbra em 1823, com seu irmão, o jornal Amigo do Povo, que pouco depois acabou por ter triunfado a reacção nesse mesmo ano de 1823. Manuel Passos foi então para o Porto, e matriculou-se como advogado de número da Relação e Casa do Porto, exercendo a advocacia, e entregando-se aos seus estudos literários predilectos, até que em 1828, tendo tomado parte na insurreição de 16 de maio tentada contra o governo de D. Miguel, depois do golpe de Estado que este dera em Lisboa restabelecendo a monarquia absoluta, viu-se obrigado a emigrar nesse mesmo ano com seu irmão e outros para a Corunha, partindo dali para Plymouth, onde estava a 26 de setembro de 1828, porque é essa a data dum soneto escrito por ele com o pseudónimo de Almeno Damoeta, e por ele dirigido à rainha D. Maria lI. Algum tempo se demorou em Inglaterra, seguindo depois para a Bélgica, e daí para França. Foi aqui que se relacionou, parece que intimamente, com Saldanha, a quem dirigiu um soneto laudatório com o referido pseudónimo, e em Paris publicou dois Memoriais sobre o estado do país e sobre a necessidade de destruir o governo de D. Miguel e de restabelecer o trono da rainha D. Maria II, um opúsculo intitulado Breve razoamento a favor da liberdade lusitana e um Exame de algumas opiniões e doutrinas de Filipe Ferreira de Araújo e Castro e de Silvestre Pinheiro Ferreira. Todos estes opúsculos começaram a dar uma certa notoriedade ao seu nome; mas uma pendência grave que se levantou entre o ministro da guerra liberal Cândido José Xavier e o coronel Rodrigo Pizarro, deu origem a que os dois irmãos Passos emitissem a sua opinião sobre o assunto num opúsculo impresso em Paris em 1832, e intitulado Parecer de dois advogados da casa do Porto, etc. Também os dois irmãos, reunidos em Paris, e nesse mesmo anuo, publicaram em português e francês uma resposta a umas acusações formuladas pelo Times contra o duque de Saldanha. Tudo isto foi dando aos dois irmãos reputação e prestígio. 

Segundo as melhores informações, Manuel da Silva Passos, regressou ao Porto., quando já estava restabelecido o regime constitucional, e logo em 1834, nas primeiras cortes de deputados que se constituiriam, foi eleito por uma das divisões eleitorais do norte. Parecia talhada para o seu talento parlamentar a questão da Regência, que então surgia cravada de dificuldades e cercada de perigos. D. Pedro havia a assumido ditatorialmente, e Manuel Passos entendia que, segundo a Carta Constitucional, não a podia ele exercer. Logo nas primeiras palavras que pronunciou, se reconheceu que estava ali um orador admirável com todo o fogo da palavra tribunícia, e ao mesmo tempo com toda a urbanidade da palavra académica; tratava com toda a consideração e respeito o homem que prestara tão relevantes serviços à causa da Liberdade, mas punha acima de todas as considerações o respeito da lei: Um bom principio, dizia ele, vale mais do que um homem, e foi essa a norma constante da sua austera vida política. Manuel Passos, ou Passos Manuel, como então lhe começaram a chamar para o distinguirem de seu irmão José Passos, começou desde logo a inspirar vivas simpatias aos próprios inimigos, e ardente entusiasmo aos correligionários. Numa outra questão levantou Manuel Passos a sua voz no mesmo dia em que se estreava um outro orador notável, que tinha de ser muitas vezes seu adversário político, mas sempre amigo pessoal, Rodrigo da Fonseca Magalhães. Nunca Manuel Passos subira tão alto como nesse pleito da lei de indemnizações, que se pretendia arrancar aos bens dos vencidos o necessário para indemnizar as vítimas do regime anterior. Era mentir ás tradições generosas do partido liberal, era arrolar para satisfazer vindictas e caprichos de momento, os grandes princípios do novo regime. Manuel Passos protestou energicamente contra esse facto, e foi verdadeiramente eloquente. Nessa primeira câmara de 1834, fazendo sempre oposição ao ministério conhecido pelo nome de ministério dos devoristas, e aos que se lhe seguiram, e que trilharam um pouco a mesma senda, Manuel Passos granjeou uma grande reputação de orador; de todos os homens novos postos em evidência pela eleição de 1834, era ele quem se mostrava mais conhecedor dos negócios, o parlamentar mais brilhante, o democrata mais ardente, sem perder as suas grandes qualidades de urbanidade e cortesia. Entretanto sucediam-se os ministérios uns aos outros, e sem estabilidade nem firmeza, praticavam erros sobre erros. O primeiro ministério da rainha, presidido pelo duque de Palmela, caíra diante das acusações da opinião, e fora substituído primeiro pelo ministério de transição do conde de Linhares, e afinal pelo ministério Saldanha, que caiu principalmente em consequência do descontentamento produzido pela expedição de Espanha. Sucedeu-lhe o ministério José Jorge Loureiro, que caiu em consequência da atitude indecisa que adoptou na questão da nomeação do rei D. Fernando para comandante em chefe do exército. Foi o ministério seguinte, presidido pelo duque da Terceira, que resolveu a questão nomeando D. Fernando para o lugar de que se tratava. Este acto, porém, e outros do ministério, levantaram grande agitação entre os membros do partido avançado, que tomou em todo o reino uma atitude decidida. 

Em Lisboa, o Clube dos Camilos, assim chamado por celebrar as suas sessões no antigo convento dos Camilos, tocava as raias da demagogia exaltada. O ministério que tinha pouca confiança nas câmaras, dissolveu-as, e isso ainda mais exacerbou o país. Contudo, as eleições foram favoráveis ao governo em toda a parte, excepto em dois distritos, o do Porto e o de Viseu. As novas câmaras tinham sido convocadas para 5 de agosto, o governo adiou-as para 11 de setembro. No dia 9 deste mês desembarcaram em Lisboa os deputados vindos do Porto. Recebidos com o mais vivo entusiasmo, a ovação que se lhes fez, tomou o carácter duma manifestação política. Nesse mesmo dia a guarda nacional pegou em armas, capitaneada por Fernando Soares Caldeira, e proclamou a constituição de 1822 com as modificações que as cortes lhe introduzissem. As tropas de linha, enviadas para sufocar este movimento, fraternizaram com a guarda nacional. Com este movimento estava feita a revolução popular de 9 de setembro de 1836, conhecida pelo nome de Revolução de Setembro. A rainha, obrigada a ceder a um movimento que não pudera reprimir, chamou em 10 de setembro aos seus conselhos os homens que representavam a opinião predominante. Esses homens, presididos pelo conde de Linhares, que também ficou com a pasta da guerra, foram: Vieira de Castro, ministro da justiça; visconde de Sá da Bandeira, da fazenda e interino dos estrangeiros; Vasconcelos Correia, da marinha; e Passos Manuel, do reino. Este ministério tinha forçosamente de assumir a ditadura. Assumiu-a tratando ao mesmo tempo de convocar imediatamente cortes constituintes. Passos Manuel, como ministro do reino, começou logo a tratar da instrução pública. Pelo decreto de 18 de novembro de 1836, criou em Lisboa um depósito geral de máquinas, modelos, utensílios, desenhos, descrições, e livros relativos ás diferentes artes e ofícios, com a denominação de Conservatório das Artes e Ofícios, e com o fim principal de promover a instrução prática em todos os processos industriais por meio da imitação. Por decreto de 5 de janeiro de 1837 foi criado no Porto um deposito geral com a designação de Conservatório Portuense de Artes e Ofícios, com o mesmo fim, método de organização, administração e regulamento que o de Lisboa. Foi também Passos Manuel quem fundou a Academia de Belas Artes; foi ele quem referendou os três decretos de 25 de outubro de 1836, todos relativos à Academia. O 1.º daqueles decretos teve por fim criar a Academia; o 2.º, colocá-la numa parte do edifício do extinto convento de S. Francisco da Cidade, onde ainda hoje existe, e criou uma biblioteca especial de Belas artes no mesmo edifício; o 3.º nomeou para os. diversos empregos da academia as pessoas constantes duma relação que acompanhava o mesmo decreto A academia ficava sob a protecção imediata da rainha D. Maria II e do rei D. Fernando. Nesse mesmo ano de 1836, também por iniciativa do distinto ministro do reino, se criou a Casa Pia de Évora por decreto de 27 de outubro. Por decreto de 12 de janeiro de 1837, referendado pelos ministros Passos Manuel e visconde de Sá da Bandeira, foi criada uma Casa Pia, com a denominação de Asilo Rural Militar, destinada exclusivamente para recolher, alimentar, e educar oitenta alunos, filhos de praças de pré do exército. O asilo ficaria assente no edifício do extinto convento do Varatojo, aplicando-se-lhe também a respectiva cerca, e uma porção de terreno não muito distante do estabelecimento. Em 28 de setembro de 1836, Manuel da Silva Passos encarregou Almeida Garrett de elaborar e propor ao governo um plano para a fundação e organização do Teatro Nacional de Lisboa, devendo ao mesmo tempo informar acerca das providencias necessárias para efectuar melhoramentos possíveis nos teatros existentes. Do plano elaborado por Almeida Garrett resultou o decreto de 15 de novembro criando a Inspecção geral de teatros, e simultaneamente estabelecendo um Conservatório Geral da. Arte Dramática. Por decreto de 29 de dezembro de 1836 deu uma nova e radical organização ás escolas de cirurgia de Lisboa e Porto, dando-lhes a denominação de Escolas médico-cirúrgicas de Lisboa e Porto. Também na fecundíssima ditadura de Passos Manuel, se fundou em janeiro de 1837 a Academia Politécnica do Porto em substituição da antiga Academia Real de Marinha; transformou os estudos da universidade, formou um novo plano para as escolas de instrução primária, recomendou a criação de associações agrícolas, fabris e industrias nas terras mais importantes do reino. Este ministério estava no poder havia apenas dois meses quando rebentou o movimento da Belenzada (V. Portugal, vol. II, pag. 263 e seguintes) A rainha retirou-se para Belém, demitiu o ministério, organizou outro gabinete, e fez proclamar nos arredores do Paço a restauração da Carta Constitucional. Conhecedor do que se passava, Passos Manuel tratou logo de ver quais eram os sentimentos da guarda nacional, e achou-a pronta a acompanhá-lo. A tropa de linha; que estava em Lisboa, mantivera-se fiel também ao ministério; Manuel Passos e os seus amigos não aceitaram as suas demissões. Em presença desta atitude, a rainha desanimou, voltou para Lisboa, e continuou a funcionar o regime estabelecido. Não fora essa a primeira tentativa de reacção contra o ministério setembrista. 

Logo no dia 18 de setembro tinham protestado contra a revolução vinte sete membros da câmara alta. No dia 5 de outubro constava ao novo governo que o Batalhão de Caçadores n.º 5 queria fazer a contra-revolução, o batalhão foi mandado para o Algarve combater o Remexido, e como o chefe cartista Gomes parecia operar de acordo com o guerrilheiro português, e podia por conseguinte a sua união acarretar sérios perigos, após caçadores n.º 5 marchou para o sul do rio Tejo uma divisão comandada pelo barão de Bonfim. O movimento da Belenzada malogrou-se, além de muitas outras causas, pela intervenção dos marinheiros ingleses que desembarcaram, diziam eles, com o fim de proteger a rainha, o que irritou profundamente os próprios cartistas. Foi Manuel Passos quem primeiro protestou, e com toda a energia, contra a intervenção inglesa, mais ou menos disfarçada. Estava detido em Belém, onde a rainha o mandara chamar. Esse simulacro de contra revolução durou pouco tempo. A 5 de novembro a rainha nomeava presidente do conselho de ministros o visconde de Sá da Bandeira, que ceamos logo para seu lado Vieira de Castro e Passos Manuel. Até 1 de junho do 1837 se dilatou esta situação, em que Manuel Passos tinha a seu cargo, ora alternada, ora simultaneamente, as pastas do reino, da fazenda e da justiça. Além das grandes medidas já citadas, Passos Manuel resolveu, refundir, mais ainda, criou o nosso sistema tributário. Deu ás alfandegas do reino a pauta de 10 de janeiro de 1837, da qual procedem todas as que depois dela tem sido decretadas, e libertou assim para uma vida nova o comércio, que estava ainda sujeito à pauta aduaneira de 14 de fevereiro de 1782. Em 31 de dezembro de 1836 promulgou um código administrativo, em que também colaborou seu irmão José; nesse trabalho havia excelentes disposições. Tratou também o notável ministro de providenciar com relação ao modo de facilitar aos devedores à fazenda o pagamento dos seus débitos sem prejuízo do tesouro, e a respeito da exportação dos vinhos do Douro, da redução de tenças e de pensões, da extinção do papel moeda. Alguns dos relatórios que precedem estes decretos são verdadeiras obras-primas. As cortes constituintes, convocadas no dia 12 de outubro de 1836, só vieram a reunir-se no dia 18 de janeiro de 1837. As reformas de Passos Manuel, reformas a que se deve acrescentar outra importantíssima, a criação do registo hipotecário, tinham levantado muitos atritos. O ministério contava agora um grande número de inimigos, até nas fileiras dos avançados. Foi um deles José Estêvão, que se estreou na tribuna, combatendo o ministério de 5 de novembro. Todos consideravam perfeitamente transitórias e efémeras as reformas de Passos Manuel, muitas das quais ainda se têm conservado, atestando pelos seus imensos resultados a sensatez do legislador; Passo Manuel, porém, já estava cansado das intrigas miseráveis da política, e aproveitou o primeiro ensejo que teve para sair do ministério. A 5 de abril começara a discutir-se a Constituição; em Maio discutia-se a criação dos lugares de secretários de Estado, proposta. por Passos Manuel, e rejeitada pela câmara. Era o dia 10 de maio de 1837; nesse mesmo dia Passos Manuel e os seus amigos pediram a demissão, e nunca mais esse estadista voltou a ocupar as cadeiras do poder. Recolhendo-se à vida privada, acompanhou lealmente os seus amigos, sem despertar a cólera dos inimigos. 

A Constituição acabou de se discutir e promulgou-se, e Passos Manuel foi eleito senador. Na câmara alta pronunciou alguns discursos muito notáveis, mas persistiu em se abster de entrar na parte verdadeiramente política dos debates. Depois da contra-revolução do Porto, em 1842, que deu em resultado o restabelecimento da Carta Constitucional; e sendo extinta a câmara dos senadores, Passos Manuel foi reeleito deputado, e assentou-se nos bancos da oposição. No entretanto, poucas vezes apareceu na câmara, e poucas vezes também usou da palavra. Estava completamente entregue ás suas ocupações agrícolas; tornara-se lavrador no Ribatejo, e entregava-se com entusiasmo aos cuidados da lavoura. O seu nome adquirira por isso mesmo um extraordinário prestígio. Esse homem que atravessara o poder sem se demorar, e que deixara, contudo, um rasto brilhantíssimo da sua passagem; que servira sempre desinteressadamente o seu pais, que dele não recebera nem honras, nem empregos, nem benefícios, que se mostrara sempre liberal sincero, patriota ardente, que ligara o seu nome à ditadura mais brilhante da história portuguesa, a uma série de fundações notáveis, e que nunca entrara nas lutas mesquinhas da política, que nunca se metera nas suas intrigas, que tivera o mais constante e o mais nobre desprendimento, a mais nobre altivez de animo, que falara alto aos reis nos seus paços, e quando eles tinham por si a força e a vontade de a empregar, que nunca lisonjeara baixamente o povo, que fora levantado ao poder por uma revolução que ele não provocara, e que o levantara nos escudos como ao mais digno, cuja palavra se levantara sempre a favor das causas sagradas da liberdade e da tolerância, e que depois de tudo isso fora entregar-se tranquilamente aos modestos trabalhos da agricultura, adquirira no país um prestigio verdadeiramente extraordinário. 

Em 1844, quando se malogrou a revolta de Torres Novas, que foi morrer em Almeirim, Passos Manuel ergueu a voz para protestar contra a repressão violenta a que recorrera o partido vencedor e contra as vinganças a que se deixara arrastar. Nesse discurso há frases imortais, que deviam ainda hoje ser meditadas por todos que lidam na política. Infelizmente, Passos Manuel voltou ao seu silêncio habitual e à sua vida de lavrador. As eleições de 1845, tristemente célebres, irritaram profundamente o país, já fatigado do governo opressor do conde de Tomar, e na primavera de 1846 rebentou a revolução do Minho, conhecida pela Maria da Fonte. A rainha sentiu que a situação era grave e demitiu o ministério que assim sublevara a opinião. Já a esse tempo se organizavam por toda a parte juntas incumbidas de auxiliar o movimento do norte, Os descontentes do distrito de Santarém agruparam-se em torno do simpático vulto de Passos Manuel. Não podia este, nem queria entrar no ministério. Mousinho de Albuquerque, ministro do reino, pediu-lhe para aceitar o cargo de governador civil de Santarém, cargo que podia exercer, quase sem sair de casa. Passo Manuel aceitou. Ao mesmo tempo era proposto deputado pelo Porto, mas nem chegou a ser eleito, nem pôde ser por muito tempo governador civil, porque a 6 de outubro dava a rainha o golpe de Estado celebre dessa data, a notícia transmitida para o Porto fazia com que rebentasse a revolução, cuja alma foi desde logo José Passos, o irmão enérgico de Passos Manuel. Parecia natural que a Passos Manuel pertencesse a direcção suprema, ele, porém, não desejava senão viver obscuro. Esteve sempre durante a revolução ao lado da Junta do Porto, combatendo, porém, como voluntário, sem ambições de poder nem de brilho. Auxiliou muito a Junta, e quando esta ficou definitivamente vencida, voltou à tranquilidade do seu viver doméstico. Depois da convenção de Gramido, em 1847, não voltou, nem tentou voltar à câmara. Dando se o movimento da Regeneração, em 1851, tornou a ser eleito deputado, sendo reeleito em outras legislaturas até 1858, mas poucas vezes tomou a palavra, e em muitas sessões não compareceu por falta de saúde. Por carta régia de 17 de maio de 1861 foi eleito par do reino, mas não chegou a tomar assento na câmara alta. No anuo seguinte falecia em Santarém, causando a sua morte a mais profunda consternação. Quando a noticia foi sabida em Lisboa, a câmara dos deputados, que estava reunida, lançou na acta um voto de sentimento pela morte do grande liberal, e por proposta de Mendes Leal, determinou que na sala da biblioteca da câmara, fundada pelo eminente tribuno, se colocasse o seu busto. Anos depois, os seus patrícios do concelho de Bouças lhe erigiram uma estátua na alameda de Leça. 

Manuel da Silva Passos havia casado a 28 de dezembro de 1838 com D. Gervásia de Sousa Falcão, filha de João de Sousa Falcão, e de sua mulher D. Maria Xavier Farinha Falcão. Deste consórcio houve duas filhas: D. Beatriz de Passos Manuel, que teve o titulo de viscondessa de Passos, em atenção aos serviços de seu pai; e D. Antónia de Passos Manuel, que casou com Pedro de Sousa Canavarro, neto do 1.º barão de Arcossô. 

Bibliografia: Memorial sobre a necessidade e meios de destruir prontamente o tirano de Portugal, e restabelecer o trono de sua majestade à senhora D. Maria II e a Carta de 1826, Paris, 1831; Segundo memorial sobre o estado presente de Portugal, e como não ha razão, nem direito, nem força para tirar à senhora D. Maria II a sua coroa, e a nós a nossa liberdade, Paris, 1831; Breve razoamento a favor da liberdade lusitana, e da senhora D. Maria II, duquesa do Porto, e rainha constitucional dos portugueses, Paris, 1842; Exame de algumas aptidões e doutrinas, que os senhores Filipe Ferreira de Araújo e Castro, e Silvestre Pinheiro Ferreira expendem em seu «Parecer, Notas e Analise das observações do sr. José Ferreira Borges», Paris, 1832; Parecer de dois advogados da Casa do Porto: 1.º sobre a carta particular que o sr. Cândido José Xavier dirigiu ao sr. Rodrigo Pinto Pizarro; 2.º sobre a comunicação que S. M. E o sr. D. Pedro de Bragança fez ao general Conde de Saldanha, etc., Paris, 1832; Resposta aos artigos publicados no "Times" contra o ex.mo sr. general Conde de Saldanha, e que supomos serem obra dum olheiro chamorro bem conhecido, 1832; este mesmo opúsculo saiu mais extensamente desenvolvido em francês, com o título: Réponse aux accusations publiées derníérement dans le "Times" contre le général Comte de Saldanha; dediée á ses amis personnels et politiques par les citoyens portugais Joseph et Manuel da Silva Passos, Paris, 1832; Relatório apresentado ás Cortes extraordinárias e constituintes, pelo ministro secretario de Estado dos Negócios do Reino, etc., Lisboa, 1837; Discurso do sr. Passos (Manuel) pronunciado na sessão de 16 de julho de 1841, na Câmara dos Senadores, Porto, 1841; versa sobre o requerimento dum estrangeiro, que pedia uma pensão ao parlamento em remuneração de serviços feitos a causa constitucional; Discurso do sr. Passos (Manuel) sobre as contribuições municipais, Porto, 1841; Discurso do sr. Passos (Manuel) pronunciado na sessão de 13 de fevereiro de 1840, Porto, 1840; teve por assunto a questão do tráfico da escravatura, na discussão da resposta ao discurso da Coroa; Discurso do sr. deputado Passos (Manuel) na sessão de 18 de outubro de 1844, Lisboa, 1845; sobre o uso e abuso dos poderes ditatoriais de que o governo se revestira, por ocasião da sublevação de Torres Novas em Fevereiro do mesmo ano.

 Informação retirada daqui

terça-feira, 11 de abril de 2017

Biografia de Francisco Rolão Preto

Um dos fundador do Integralismo Lusitano, e  «Chefe» do Nacional-Sindicalismo.

Nasceu no Gavião, em 12 de Fevereiro de 1893;
morreu em Lisboa em 18 de Dezembro de 1977.

Ainda estudante do liceu abandonou Portugal e foi ter com Paiva Couceiro, oficial monárquico que a partir da Galiza, nos anos de 1911 e 1912, tentou derrubar o regime republicano instaurado em Portugal, tendo participado em várias incursões. Estabelecendo-se na Bélgica, tornou-se secretário da revista Alma Portuguesa, o primeiro órgão do Integralismo Lusitano. Acabou o curso liceal no Liceu português de Lovaina, tendo ingressado posteriormente na Universidade católica da mesma cidade. Devido ao começo da primeira guerra, foi para França, onde se licenciou em Direito, na Universidade de Toulouse. 

Regressado a Portugal em 1917, começou a escrever para o jornal integralista A Monarquia, sendo seu director quando Hipólito Raposo foi preso. Membro da Junta Central do Integralismo Lusitano a partir de 1922, tornou-se colaborador do general Gomes da Costa, sendo o redactor dos 12 pontos do documento distribuído em Braga no começo do movimento militar de 28 de Maio de 1926, que instaurou a ditadura militar. A inactividade do Integralismo Lusitano a seguir ao golpe de 1926 afastaram-no dessa organização política. Por isso, em 1930, dirigiu com David Neto e outros sidonistas a Liga Nacional 28 de Maio, grupo de origem universitária, que se auto proclamara defensora da Revolução Nacional.

Mas foi em Fevereiro de 1933 que Rolão Preto se tornou uma figura nacional, com o lançamento público do Nacional-Sindicalismo no decurso de vários banquetes-comício que comemoravam o primeiro ano de publicação do jornal Revolução, Diário Académico Nacionalista da Tarde, aparecido em 15 de Fevereiro de 1932 e que em 27 de Agosto desse mesmo ano tinha adoptado o subtítulo Diário Nacional-Sindicalista da Tarde. Rolão Preto era o seu director desde 14 de Março. Movimento de tipo fascista, conhecido pelos camisas azuis, o Nacional-Sindicalismo foi uma organização que conseguiu algum apoio nas universidades e na oficialidade mais jovem do Exército português. Devido a incidentes nas comemorações de 1933 do 28 de Maio em Braga, onde houve confrontos entre os nacional-sindicalistas e a polícia, ao discurso de Rolão Preto de 16 de Junho, numa sessão no São Carlos, claramente anti-salazarista, o jornal Revolução acabou por ser suspenso em 24 de Julho. Restabelecido fugazmente em Setembro seguinte - saíram só três números - o Nacional-Sindicalismo dividiu-se em Novembro quando um grupo, o mais numeroso, decidiu apoiar Salazar e integrar-se na União Nacional, abandonando assim as ideias de independência perante o novo regime defendidas por Rolão Preto e Alberto Monsaraz.

Após uma última representação ao Presidente da República, general Carmona, em defesa de um governo nacional com a participação de todas as tendências políticas nacionalistas, é detido em 10 de Julho de 1934 e exilado quatro dias depois, residindo durante um tempo em Valência de Alcântara, em Espanha, frente a Castelo de Vide. Em 29 de Julho o nacional-sindicalismo é proibido por meio de uma nota oficiosa de Salazar, que afirma que o movimento se inspirava «em certos modelos estrangeiros».

Indo para Madrid, hospedou-se em casa de José António Primo de Rivera, filho do ditador espnhol,, com quem terá colaborado na redacção do programa da Falange espanhola. Regressou em Fevereiro de 1935 a Portugal, mas foi implicado numa tentativa de golpe contra o regime, em Setembro de 1935 - o Golpe de Mendes Norton, com tentativa de revolta do navio Bartolomeu Dias e do destacamento militar do Quartel da Penha de França -, e obrigado a novo exílio. Residindo em Espanha, acompanhará a Guerra Civil ao lado dos falangistas.

Regressado a Portugal retoma a intervenção política apoiando o MUD - Movimento de Unidade Democrática -, criado no Outono de 1945 para participar nas eleições de Novembro seguinte, as primeiras eleições do Estado Novo em que se admitiram listas alternativas. Nesse ano publica o seu livro A Traição Burguesa. Mais tarde, apoia a candidatura de Quintão Meireles nas eleições para a presidência da República de 1951 contra o candidato oficial, Craveiro Lopes, discursando na única sessão política da campanha. Em 1958 apoiará Humberto Delgado, participando activamente na campanha eleitoral, sendo responsável pelos serviços de imprensa da candidatura.

Em 1970, constitui com outras personalidades monárquicas a colecção «Biblioteca do Pensamento Político» e integra a Convergência Monárquica, organização política monárquica que reúne o Movimento Popular Monárquico, de Gonçalo Ribeiro Teles, a Renovação Portuguesa de Henrique Barrilaro Ruas, em que participava, e uma facção da Liga Popular Monárquica de João Vaz de Serra e Moura. Participa nas eleições de 1969, nas Comissões Eleitorais Monárquicas, as únicas eleições durante o período de governo de Marcelo Caetano. Em 1974 assume a Presidência do Directório e do Congresso do Partido Popular Monárquico (PPM), fundado em 23 de Maio.

Mário Soares, enquanto Presidente da República, condecorou-o a título póstumo, em 10 de Fevereiro de 1994, com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique pelo seu «entranhado amor pela liberdade».

Fontes:
José Manuel Alves Quintas, «Rolão Preto», Unica Semper Avis, Maio de 2000, página acedida em 13 de Janeiro de 2002 e em 8 de Fevereiro de 2003. (a ligação abre numa nova janaela)

João Medina, Salazar e os Fascistas: Salazarismo e Nacional-Sindicalismo, a história dum conflito, 1932/1935, Lisboa, Livraria Bertrand, 1979.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Abbe Antonio Benedetto [ou Benedito] Castelli

Beneditino italiano nascido em Brescia, professor de matemática em Pisa e Roma, tido para muitos como o pai da escola hidráulica italiana, em virtude de ter publicado Della misura delle acque correnti, o primeiro livro italiano sobre o assunto (1628). Adotou o nome de Benendetto após entrar para a ordem dos beneditinos (1595). Morou no monastério de Pásua (1604-1607) e foi um dos estudantes de Galileu. Após receber uma cópia do Sidereus Nuncius, em Brescia (1610), ele foi morar em Florença (1611) e passou a pesquisar em hidráulica junto a Galileu e por indicação deste tornou-se professor em Pisa (1613). Defendeu a teoria coperniana e tornou-se consultor do Papa (1626) para assuntos fluviais dos Estados Pontifícios e professor de matemática da Universidade de Roma. Em Roma publicou o importante trabalho em hidráulica, Della Misura dell'Acque Correnti (1628) um livro considerado marca da fundação da hidrodinâmica moderna. Também fez importantes descobertas em iluminação, assunto em que independentemente formulou a lei fotométrica, visão e formação de imagens e diafrágmas em telescópios. Também foi pioneiro em estudos sobre absorção diferenciais pelas diversas cores. Redefiniu o princípio da continuidade com a famosa lei de Catelli e morreu em Roma.

Biografia retirada de NetSaber

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Abbe Jean Picard

Clérigo e astrónomo francês nascido em La Fleche, Anjou, que executou medições acuradas, em graus, dos meridianos e, subseqüentemente, calculou a circunferência do globo terrestre (1668-1670). Prior do Rille, em Anjou, tornou-se professor no Collège de France (1645) e foi um dos fundadores do Observatório de Paris, onde trabalhou (1667-1668) com Adrien Auzout (1622-1691) na construção de um telescópio com 38 polegadas de quadrante. Tornou-se membro fundador da Academia Real de Ciências da França (1666). Ao visitar o observatório de Tycho Brahe, na ilha de Hven, determinou sua longitude e latitude. Descobriu várias estrelas e fundou a Connaissance des Temps (1679) e continuou como seu editor até sua morte (1682), em Paris.

Biografia retirada de NetSaber

sábado, 1 de abril de 2017

Alexandre III


Siena (Itália), inícios do séc. XII;
Civita Castellana (Itália) em 1181.

Canonista e teólogo ensinou na Universidade de Bolonha e foi autor de um comentário ao Decretum [Concordia discordatium canonum] de Graciano, canonista da mesma universidade, com o título Summa Magistri Rolandi. 

Cardeal em 1150, chanceler da Cúria Romana em 1153, agregou à sua volta o partido anti-imperial. Eleito papa em 1159, após a morte de Adriano IV, viu a sua eleição contestada pelo anti-papa Vítor IV, que era apoiado, como os anti-papas seus antecessores - Pascoal III e Calisto III -, pelo imperador Frederico Barba-Roxa e o partido imperial. Obrigado a abandonar Roma, refugiou-se em França e conseguiu fazer-se reconhecer papa legítimo pelos principais soberanos europeus: os reis de França, Inglaterra e Castela. Mas foi o apoio dos normandos do Sul de Itália e das comunas do Norte de Itália, da Padana (o vale do Pó), que lhe permitiram recuperar o prestígio e tornar-se, de novo, o ponto de encontro das forças anti-imperiais da península Itálica, comprovado pelo nome dado à cidade de Alexandria, edificada pela Liga Lombarda como desafio a Frederico e símbolo dos privilégios conseguidos d o Império. Após a vitória da Liga sobre Barba-Roxa, na batalha de Legnano em 1177, Alexandre foi reconhecido como o papa legítimo, mesmo pelo imperador com a assinatura da paz entre os dois potentados. Regressou a Roma em 12 de Março de 1179.

O pontificado de Alexandre III caracterizou-se pela energia com que foram prosseguidas as políticas reformadoras dos seus antecessores, iniciadas pelo papa Gregório VII a partir de 1073. Defensor da autonomia da igreja em relação ao poder laico, teve uma importante actividade política, que permitiu consolidar as relações com os potentados normandos do Sul, reconhecer a realeza de Afonso Henrique de Portugal em 1179 e impor uma dura penitência a Henrique II de Inglaterra, que tinha mandado assassinar Thomas Becket, arcebispo de Canterbury.

No 3.º Concílio de Latrão, reunido em 1179, convidou representantes da Igreja Ortodoxa, tentando a reunificação da Igreja Católica. O concílio condenou as doutrinas cátaras, preparando as perseguições  contra os albigenses.

Biografia retirada de Arqnet
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